sexta-feira, 25 de julho de 2014

Razões para não visitar o "Templo de Salomão" da IURD.

     
     Em primeiro lugar, não quero aqui bancar o franco atirador e fazer crítica pela crítica. Tenho que admitir que a IURD, em termos numéricos, é um dos principais fenômenos religiosos do país, possui uma invejável rede de telecomunicações, promove obras sociais de peso e, acredito, contribui para a melhoria de condições de vida (material) de inúmeros brasileiros.

     O prédio que recebeu o nome de "Templo de Salomão" é uma bela tentativa de reproduzir uma réplica do original, ocupa um espaço físico imenso na maior capital de América Latina, parece ter sido bem construído e tem tudo para se tornar um dos cartões postais da capital paulista.

     No entanto, para um autêntico cristão, cuja fé se fundamenta na doutrina dos apóstolos e dos profetas e que valoriza os mais dois mil anos de história do cristianismo, há  importantes razões para não fazer a visita.

1) O Verdadeiro Templo foi construído por revelação do Deus de Israel que indicou o local exato para sua construção  onde cada detalhe apontava para Jesus Cristo, a revelação  máxima da divindade. O tal prédio da IURD não faz o menor sentido para Deus e não é "lugar sagrado" como preconizam seus líderes. O próprio Jesus afirmou: "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei eu, no meio deles" ( Mt 18:20). Lugar sagrado é todo e qualquer lugar onde cristãos se reunirem para adorar a Deus.

2) O próprio Jesus Cristo afirmou ser, ele mesmo, o Templo de Deus. Num debate com seus opositores, narrado por São João, lemos: "Jesus respondeu e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.  Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?  Mas ele falava do templo do seu corpo.  Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso; e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito" (Jo 2:19 à 22). 
     Para Deus, o Templo israelita foi uma construção profética cujo cumprimento se deu na escarnação do Verbo, Jesus (João 1:1,14).

3) O apóstolo Paulo afirmou que o Templo de Salomão era o Templo de Deus, além de apontar para Cristo, em segunda instância, aponta para todo cristão verdadeiro: "Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário (templo) do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês"(1a Co 6:19,20)
     Ou seja, construir um prédio dizendo que Deus está ali é uma heresia grosseira contra um Deus que decidiu habitar no coração de cada cristão regenerado fazendo de seu corpo, um local sagrado.

4) O judaísmo é uma religião ligada a uma tradição nacional, uma raça distinta, com história, cultura, costumes e práticas . A comunidade judaica vê com suspeita a mega construção Iurdiana e, em alguns casos, com certo desdém e até revolta. Para os tais, as reais intenções para esta construção não são santas. 

     Talvez haja muitas razões para não ir, mas se as que apontei acima não forem suficientes, saiba que para visitar o tal lugar, é preciso ir a uma igreja Universal (!) e comprar o ingresso a preço de R$ 45,00. Pelo jeito, não é para qualquer um.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Religião e espiritualidade: alguma diferença?

   
Recentemente, (coisa de uns 10 anos) artigos e vídeos começaram a explodir na internet com conteúdo que execrava a religião, enaltecendo a espiritualidade. É difícil definir com precisão a diferença entre ambos os termos, apenas pela etimologia. Convém entendermos o sentido histórico e só então avaliarmos o peso semântico, seu uso no contexto atual.

     Tradicionalmente, a religião ficou conhecida como "a religação" entre o homem pecador e o Deus Santo. Num sentido cristão, só há uma forma desta "religação" ser processada: por meio do sacrifício vicário e substitutivo, realizado por Jesus Cristo na cruz.


     Na história do cristianismo, o termo "religião" foi usado como "conjunto de crenças e práticas que definiam uma comunidade", em seus relacionamentos com Deus e uns para com os outros. Significava "a intensidade do fiel (ou crente) com respeito a este corpo de crenças". A ela se unia termos como: liturgia, devoção, costumes e hábitos, etc.


     Atualmente, após o desgaste dos termos e o enfraquecimento da instituições,  as expressões estão sendo redefinidas e nem todos estão acompanhando esse processo.


     O cristianismo perdeu muito com a institucionalização da igreja, desde Constantino (século IV) , quando deixou a singeleza e simplicidade dos lares e ganhou as catedrais e as basílicas suntuosas. Nem mesmo a Reforma Protestante  (século XVI) conseguiu um retorno  ao cristianismo primitivo. Resgatou-se a doutrina da "justificação pela fé" e alguns aspectos litúrgicos, mas, no geral, pouco se fez para que o cristianismo se livrasse das amarras do sincretismo e da separação entre clero e laicato e do conceito "templista" de religião.  


     Hoje, com os escândalos protagonizados por padres, pastores e líderes em geral  a religião, entendida como instituição, é vista com suspeita. Cresce o número dos que se definem cristãos/evangélicos, mas sem uma fidelidade a um partido denominacional. Surgiu, finalmente, o que era um "luxo" apenas dos católicos: o "crente nominal".


     Mark Driscoll, conhecido pastor de Chicago - EUA, em sua igreja Mars Hill, é um dos expoentes deste nova "roupagem", não menos institucionalizada, mas que se define como "igreja emergente", ou "alternativa", concebida para os que querem uma vida com Deus, mas detestam religião. Grupos com este tipo de disposição espiritual, estão se multiplicando mundo a fora.


     Alguma diferença? Num sentido tradicional, não. Mas num sentido contextual, deste terceiro milênio, sim. Espiritualidade busca ser compreendida num contexto de intimidade com Deus, de práticas fora das quatro paredes do prédio, erroneamente chamado de "igreja", e de uma devoção simples, despojada, sincera e intensa, no poder do Espírito Santo.

     O termo "religião", passa a ser compreendido como um código de moral e ética, desprovido de significado, confuso, não contextualizado, promotor de preconceitos, competição e que promove ícones humanos ofuscando o brilho daquele que é Único e merecedor de toda honra e glória: Deus.

     Nestas condições, espiritualidade, sim - religião, não.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A fé tem suas razões.

     
Não ridicularize uma pessoa de fé. Você não sabe o quanto sua razão trabalhou para que ela finalmente confiasse. 

Engana-se quem não vê compatibilidade entre fé e razão. A fé depende da razão tanto quanto a razão depende da fé. 

     Eu acredito que exista uma Torre Eiffel sem nunca te-la visto.  Minha razão diz que ela existe pois a fotografaram, a retrataram em quadros à óleo e alguns conhecidos meus foram até Paris e noticiaram sua existência. É assim que eu creio : pelo testemunho de outros. 

     Da mesma fora, a fé cristã fundamenta-se no testemunho de outras pessoas. Pedro, João, os demais apóstolos e, posteriormente, mais de quinhentas pessoas, afirmaram que Cristo, após sangrenta crucificação, ressuscitou. 

     Negar a existência de Deus, por exemplo, não é uma atitude racional, pois há uma diferenciação entre o criacionismo científico e o criacionismo religioso. O criacionismo científico não deixa dúvidas de que o universo não surgiu ao acaso, pois o acaso não produz ordem, muito menos um sistema de funcionamento altamente complexo e sofisticado como o universo.  O criacionismo religioso, por sua vez, é quem dá o nome de "Deus" ao originador deste universo.

     Fé e razão não são excludentes, mas complementares. Apesar eu precisar da fé para crer e confiar em Deus, e em seu filho Jesus Cristo, minha razão jamais conseguirá se contrapor a esta crença, sem auto enganar-se, ou endurecer meu coração. É no coração que, segundo Blaise Pascal (*) acreditamos e confiamos em Deus. E como disse o genial filósofo francês sobre este assunto, "o coração tem razões, que a própria razão, desconhece".

(*) Blaise Pascal 1623 - 1662 - cristão, filósofo, matemático, autor de "Pensamentos".
     

Onde encontrar paz num mundo em convulsão?

     Silvio Brito na década de 70  cantava uma canção que se tornou hit rapidamente. Cada estrofe começava com  “ – pare o mundo que eu ...