quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Fé utilitarista e fé ortodoxa. Qual delas você pratica?

   
"- Fé é fé, e pronto". Quem pensa assim, não sabe o que é fé.
     Fé não é crendice, não é sortilégio, não é um "salto no escuro". Fé é confiança que molda nosso procedimento, nosso comportamento, nosso conjunto de valores e nos faz existir para fora de nós mesmos.      Fé se baseia em fatos, em palavras, mas principalmente num objeto que julgamos digno de merecer nossa fé. 
     A fé não exclui o uso da razão. Pelo contrário, apoia-se nela e por ela aposta, acredita, investe, avança.
     A fé cristã é fé em fatos relacionados a ação de Deus no cosmos. É fé inteligente, fundamentada, documentada e adubada por experiências que remontam séculos. 
     Infelizmente, em tempos pós modernos, a fé tem se tornado um objeto de consumo, engolida que foi pelo utilitarismo materialista, clientelista, imediatista. Hoje, ao se falar de fé, se fala em bem de uso e consumo, de ser "abençoado" num sentido animal, carnal, material. A fé tem perdido sua essência devocional, seu foco espiritual, sua raiz existencial que estende seus tentáculos em direção ao Eterno, Imaterial, Perfeito e Único.
     A fé ortodoxa é a fé dos antigos, das experiências dos patriarcas, dos profetas, dos apóstolos, dos pais da igreja, dos santos medievais, dos monges em seus retiros, em suas clausuras, em suas meditações e orações contínuas. A fé ortodoxa moldou gerações, transformou culturas, mudou cenários políticos, implantou o Reino de Deus curando enfermos, expulsando demônios, salvando pecadores gerando comunidades de amor e misericórdia. A fé real cativou céticos, desconstruiu argumentações de ateus, desmontou sistemas pseudo teológicos e governou a razão, a ação e o desenvolvimento da humanidade.
     Quem concebeu a fé? De onde ela emana? Quem  a sustenta? Quem a propaga? Quem a protege?
    "O autor e consumador da fé: Jesus de Nazaré" (Carta aos Hebreus 12:2 b - Bíblia).

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Vamos mesmo ter uma "Copa"?

     O clima está cada vez mais tenso. A imprensa não noticia tudo limitando-se a fazer breves notas. Devido a morte de um jornalista da Band, houve uma maior atenção aos protestos no Rio de Janeiro. 

     Recentemente tem surgido algumas acusações contra partidos políticos que estariam por trás das manifestações, "patrocinando" alguns "cabeças" para organizarem (ou anarquizarem) alguns protestos e passeatas.

     A Copa do Mundo Fifa 2014 está em risco? Com certeza. Se o governo tentar tapar o sol com a peneira, pode tomar um susto e o mega evento de nível mundial se tornará um fracasso nacional. Cá pra nós, a prisão dos mensaleiros enfileirados como os anões da Branca de Neve sob o silêncio do PT não foi um "rabinho entre as pernas", mas uma manobra estratégica. Alguém duvida que após a Copa serão soltos?

     Mas somos brasileiros. Não desistimos nunca! Se o mundo está de olho em nós, muitos aproveitarão esta exposição. " - É agora, ou nunca", pensam. O governo precisa atentar para alguns detalhes importantes.

     1o. O povo está nas ruas. Se sob a batuta de um anarquista ou não, o povo está nas ruas. São mais que eleitores. São contribuintes, engrossam o PIB, labutam, sabem de seus deveres e agora, acordaram para seus direitos. Os bilhões gastos nos estádios dói na alma do povo que conhece o que é fila na saúde e mediocridade na educação.

     2o. A imprensa internacional é ágil e totalmente livre. Tudo que acontece aqui "dentro" é repassado com requintes de detalhes no exterior. Outro dia li um jornal em uma capital de um país aqui da América Latina e fiquei impressionado com a lucidez com que analisam nossa política interna. Li que o Brasil, se cresceu na economia, esse crescimento ainda não refletiu na vida do cidadão brasileiro em forma de benefícios sociais. 

     3o. Os programas assistencialistas do governo, não convenceram. O povo parece não ter se vendido as "bolsas" governamentais.  Agradecem o dinheiro, mas exigem respeito. Os programas "minha casa, minha vida" e "minha casa melhor" parecem não ser suficientes. Precisamos também do "meu hospital, minha vida" e "minha escola, minha vida". O governo parece que se esqueceu que passamos a maior parte do dia na escola e os nossos piores dias, nos hospitais.

     E a COPA? Tenho cá meus temores. Se na Copa das Confederações já houve um "furdúncio", imagine a Copa do Mundo? Temo pelos manifestos pacíficos devido a vulnerabilidade aos "balck bloc". Temo a truculência da polícia e a falta de tradição em lidar com manifestantes. Temo os exageros, o controle sobre a imprensa e pela a vida de brasileiros e turistas. 

     Por outro lado, acredito que a imagem do Brasil, lá fora, vai mudar. O pais das "bundas de fora" e das praias com muita cerveja, talvez seja visto com outros olhos. Mas associando isso tudo com o atraso das obras dos estádios e de seus entornos, acredito que manteremos nossa fama: "o Brasil não é um país sério".

     Que Deus tenha misericórdia de nós.





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Muito mais que um beijo.

     
O último capítulo da novela da Globo, AMOR À VIDA, protagonizou um divisor de águas na dramaturgia da TV aberta: o beijo gay.      
     Não discuto aqui a questão homossexual, mas alerto que esta cena é mais política do que artística.
     É sabido que uma parcela de evangélicos tornou-se, nos últimos anos, opositores ferrenhos do movimento GLTBS. Digo "uma parcela", pois entendo que o cristão de fé protestante tem como princípio de vida o "amai o próximo como a si mesmo", onde a expressão "próximo" refere-se ao ser humano num sentido universal. Não levanta a bandeira "anti gay", pois esta bandeira não está disponível no cristianismo clássico. A não aceitação da prática homossexual, para estes, é uma questão de crença e não política. 
     "Uma coisa é a homofobia, que é odiar, agir com preconceito e violência contra quem não segue esse padrão de vida; outra é ser um cristão e não aceitar o padrão do mundo atual, em que o valor do prazer pessoal deve ser imposto como padrão absoluto para a sociedade e a família. Como cristãos temos que amar a todos, inclusive os que vivem fora dos padrões da Bíblia, e vivermos sob os princípios da Palavra de Deus, seja na questão da sexualidade ou sob qualquer outra área de nossas vidas" - Carlito Paes, blog da PIB de São José dos Campos (*).
         
     Por isso afirmo que o alvo da Globo foi fazer o cristão evangélico se "desarmar" de sua aparente atitude "anti gay", por uma sinalização clara.
     Primeiro sinal: nesta novela, teve-se o cuidado de não apresentar caricaturas de evangélicos, mas aspectos socialmente aceitáveis. Com isso a Globo intencionou trazer o "crente" para a sala de TV no horário de exibição.
     Outro sinal, não menos importante, foi a aparente mudança de caráter ocorrida no personagem "Félix", brilhantemente interpretado por Mateus Solano. Fica evidente que, o que importa, é ser "boa pessoa", independente das práticas sexuais, sabendo que nunca somos bons o suficiente, diante da perfeição de Deus. Todos somos carentes da graça do Senhor.
     Por último, o beijo ocorre no último capítulo onde autor e diretor carregaram no aspecto emocional, entremeando cenas de casamentos, reconciliações e festividades com a cena principal, que foi a reconciliação entre o pai, Cesar (Antônio Fagundes) e o filho (Mateus Solano), numa cena bucólica durante o por do sol.
     Esta sinalização deve ser observada por todos os que acreditam na Bíblia como a inerrante Palavra de Deus, que criou o ser humano à sua imagem e semelhança, nos dizeres do Gênesis: "homem e mulher os criou".  A não aceitação da prática homossexual deve ser encarada, repito, como uma questão de fé e não política. Deve haver respeito de ambas as partes. 
     Penso que esta questão ganhará cada vez mais espaço na mídia, exatamente no horário onde o povo brasileiro está mais relaxado, diante da TV.  Numa sociedade democrática, a liberdade de expressão garante isso.
     "Liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral" - Bruno Fontenele Cabral.
     A mesma liberdade propalada pelo movimento GLTBS, é também direito dos que acreditam na Bíblia e a praticam. 
     A liberdade de opinião deve ser garantida, de ambos os lados, sem a famigerada militância, tão danosa ao convívio social. 


(*) Carlito Paes - http://pibnet.com.br/portal/index.php?option=com_k2&view=item&id=243:o-beijo-gay-da-tv-e-sua-fam%C3%ADlia

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O amor é tudo? Como assim?

     
     Acho engraçado a forma como cristãos ligados ao movimento da igreja emergente, entendem a palavra "amor". Está cada vez mais acentuada a ideia de que "falta amor" nas igrejas (de um modo geral) e que "o amor está acima de tudo, inclusive da teologia e doutrina". 
     
     Algumas frases interessantes inundam as redes sociais: "A igreja é hospital, não tribunal". No meu ponto de vista, nem uma coisa nem outra. A igreja é agente do Reino de Deus e anuncia as boas novas de salvação. Agrega em seu seio os que "nascem de novo" pela fé. Poderia ser chamada de "berçário" ou "playgroud", de acordo com o Apóstolo Pedro em sua 1a. carta, capítulo 2, versículo 2. 

     Não quero dizer que não há problemas na igreja, e que o ministério cristão é exclusivo "ao mundo". Pelo contrário. O "uns aos outros" está embutido na comunhão cristã, onde devemos nos exortar e nos perdoar mutuamente. O que  é inaceitável é a alcunha de "hospital". Essa analogia não é encontrada na Bíblia. A igreja é qualificada como "lavoura de Deus", "casa de Deus", "corpo de Cristo", e por aí vai. Não há menção da igreja como um conglomerado de mutilados, insanos ou enfermos.

     Por outro lado, a crítica acusa a igreja de ser "um tribunal", onde uns estão julgando outros, disciplinando, expondo e excluindo, numa forma bizarra e anti bíblica de lidar com as "dificuldades" humanas. 

     Acredito que muitos abusos ocorreram e ocorrem ainda, onde homens autoritários, desconhecedores da legítima autoridade espiritual, mandam e desmandam sem critério, sem reflexão, sem fundamentação bíblica, machucando e prejudicando o desenvolvimento espiritual de muitos. Porém, os filhos de Deus, renascidos pela fé, prevalecerão, pois são "igreja gloriosa do Cordeiro". Não há nesta terra, uma "autoridade eclesiástica" que consiga impedir a obra de Deus na vida de seus filhos, renascidos pela fé.

    Por outro lado, é missão da igreja, sim, exercer juízo em seu interior para preservação de sua santidade e da honra do nome de Jesus, a quem deve espelhar na terra (1a. Co 6). A igreja necessita exercer juízo em seu interior, para sua própria saúde espiritual. Os teólogos emergentes afirmam que o cristão deve seguir Cristo e não Paulo. Que o que Cristo disse tem que prevalecer sobre o que Paulo ministrou às igrejas. 

     Pois bem. Acho que Paulo foi, então, um bom seguidor de Cristo, pois foi o Mestre quem disse:   "Se um irmão pecar contra você, vá a ele particularmente para que possa ficar frente a frente com sua falta. Se ele lhe atender e confessar, você ganhou de volta esse irmão.  Mas se não conseguir, leve então um ou dois outros com você e vá a ele novamente, provando tudo quanto você diz por meio dessas testemunhas.  Se ainda assim ele se recusar a atender, então leve o seu caso à igreja, e se a decisão da igreja for favorável a você, mas ele não aceitá-la, então a igreja deve excomungá-lo" (Mateus 18:15 à 20 - Bíblia Viva).

   Igreja que ama, exorta, reprende, disciplina e, se necessário, em última instância, exclui. Se à igreja foi dado o poder de batizar (incluindo), também lhe foi dado o poder de disciplinar, (excluindo). Amar é isso.

    A propósito, uma outra frase, também extraída de redes sociais, serve de contra ponto a frase analisada ao longo deste artigo: "quem poupa lobo, sacrifica ovelha".

Como viver em paz em um mundo em convulsão?

Silvio Brito na década de 70 cantava uma canção que se tornou hit rapidamente. Cada estrofe começava com “ – pare o mundo que eu quero...