terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ôba! Ganhei uma bronca!

      "Sono brave persone, ma non li provate corrigi", ou seja, "são boa gente mas não tente corrigi-los".  
     O homem tem se achado a medida correta para si próprio. Não admite estar errado. Não admite estar aquém da verdade. Não admite ser ensinado. O tempo passa e parece que a arrogância vai se encrudecendo e petrificando. São "buona gente", desde que você não tente corrigí-los.
     Pessoalmente, acredito que a maior parte de meu crescimento se deve ao auxílio de outros que me corrigiram, a começar de meus pais. Admito que sem as "belas palmadas" de minha mãe, não estaria vivo hoje. Agradeço cada "sermão" que meu pai "pregou" para mim, ainda que, o tenha feito, por muitas vezes, completamente alcoolizado. A autoridade paternal sobre minha vida aparou terríveis arestas no meu caráter.
     Se você é boa gente e deseja crescer, aprenda a ouvir e dar ouvidos. Se há pessoas que exercem alguma função sobre sua vida, quer profissionalmente ou familiarmente (até espiritualmente) e não puderem apontar falhas em você, cuidado: as pessoas pioram com o passar dos anos. Como dizia o dramaturgo Nelson Rodrigues, "as pessoas apodrecem com o tempo, familias inteiras apodrecem". "Quem acolhe a disciplina mostra o caminho da vida, mas quem ignora a repreensão desencaminha outros" (Provérbios 10:17).
     Reconhecer a necessidade de ser corrigido é um aprendizado que talvez dure uma vida inteira, mas com certeza seus frutos serão abundantes e abençorão muita gente.
   "Melhor é um jovem pobre e sábio, do que um rei... que não mais aceita repreensão" (Eclesiastes 4:13). 

     

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Utopia de um "evangélico" revoltado.


   Enojado com toda essa pompa e glamour criados em torno do nome de Deus, gostaria de compartilhar  minha revolta com respeito ao "culto show" em que se transformou o que a gente costuma chamar de "igreja evangélica".

Será que para realizar a obra de Deus precisamos de um palco para depositar músicos que tocam e fazem performances para uma platéia eletrizada erguer mãos, aplaudir e se emocionar?  Será que precisamos de luzes, cores, adornos e profissionais de mídia para servir ao Senhor? Será que um orador treinado, afiado no vernáculo e hábil em citações da literatura brasileira faz tanta falta assim em nossos púlpitos? Será que precisamos de CDs, DVDs e uma série de aparatos comerciais para divulgar nossa fé? Será que precisamos de Bíblia da Mulher, do Homem, do Adolescente,  da Vovó, do Bebê, etc.etc... para conhecermos mais e melhor à Deus? Será que precisamos realmente de prédios caros e aparelhados e climatizados para ministrar as reais necessidades das pessoas? Se um dos apóstolos retornasse a Terra e entrasse em uma de nossas igrejas no "ápice" do que vulgarmente chamamos de "adoração", o que diria? O que faria? 
Tenho pensado muito sobre a "essência", o que seria, nos dizeres de Leonard Boff *, "o mínimo do mínimo" para que um ajuntamento pudesse ser considerado Igreja. Disse Jesus: "onde houverem dois ou mais reunidos em meu nome, ali estou eu, no meio deles". Cristo basta. E para uma "igreja" onde há tanto pecado, tanta vaidade, tanta competição, tanta inveja, hipocrisia, exibicionismo, materialismo, fanatismo e misticismo, falta Cristo. Falta a essência. Falta tudo.
Talvez nem uma nova Reforma bastaria. O que a igreja evangélica talvez esteja precisando é de uma ressurreição.

*Teólogo brasileiro, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. É respeitado pela sua história de defesa pelas causas sociais e atualmente debate também questões ambientais. Fonte Wickipédia.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Aprenda a viver em paz.

     Paz não é um sentimento "zen". É um aprendizado. Não está relacionada ao temperamento ou personalidade,  mas ao caráter. É fato que, uma vez gerado um conflito, a conciliação é uma necessidade. Mas quando ela não ocorre, a prática da paz pode ser unilateral. Afinal, "quando um não quer, dois não brigam".
     Paz na família é possível, desde que os relacionamentos sejam prioridade. Infelizmente quando mais tecnologia temos em casa, mas afastados e isolados estamos. A imagem da "nona" colocando os quitutes sobre a mesa rodeada de parentes famintos ficou pra história. Hoje, com o microondas e os produtos congelados, cada um "se vira" e em horários diferentes. As conversas ao redor da mesa, ou na sala de estar, são raridade. Os smartfones e tablets mantém todos conectados e ao mesmo tempo silenciados num mesmo endereço.
     Paz nos círculos de relacionamento é possível, desde que respeitemos os limites impostos por cada um. Respeito é  uma atitude em falta hoje em dia. Consideração à idade, experiência e até conhecimento adquirido é necessário para se viver em paz. Creio que  nos relacionamentos interpessoais, o que mais deveríamos cultivar é a admiração. Quando um ambiente de conflito começar a se delinear, bom é que cada um saiba quem é e fique no "seu quadrado", ouvindo mais e falando menos, a fim de pautar a conversação nos alicerces da bondade e longanimidade.
     A paz social depende do entendimento de que somos diferentes, e admitir essas diferenças é fundamental. Muitas vezes vemos nas diferenças, ameaças. Diferenças de raça, religião, posição social ou nível de escolaridade não devem constituir barreiras para o desenvolvimento de uma boa amizade. Se nas diferenças pudermos "permutar" idéias e ideais, prevaleceremos contra a violência e promoveremos uma paz verdadeira.
     Finalmente, não poderia deixar de falar sobre o Príncipe da Paz: JESUS. O judeu que veio trazer um tipo de paz até então desconhecida: a paz com Deus (Romanos 5:1). Ser um pacificador, em primeiro lugar, é estar em aliança com Deus, por meio de Cristo (S.João 14:6), por meio de arrependimento de pecados e fé. Assim sendo, a paz fluirá com um rio e abençoará lares, gerações inteiras e muitas  nações.
     Mais do que um sentimento de tranquilidade e harmonia, paz  é algo que deve ser aprendido. Pratique a paz!

Aprenda a lidar com as ofensas.

      Receber uma ofensa não é o fim do mundo (estamos em 2015!). Já fui ofendido o bastante para estar sepultado pela avalanche de lama e detritos que me lançaram. Mas sobrevivi. Com o tempo percebi que viver é sofrer impactos. Precisamos entender que, em nossa imperfeição, ocasionalmente,  atrairemos a ira das pessoas. Desista de tentar agradar todo mundo. Ninguém até hoje passou incólume diante de críticas ácidas, calúnias e difamações.
     Em segundo lugar, é importante entender que a filosofia das ofensas é neutralizar nossa simplicidade e pureza. Estar sob ofensa é estar sendo chamado pra briga, não com o propósito da contenda em si, mas de macular nosso caráter. Integro é aquele que desenvolve o equilíbrio necessário para não ceder a provocação e continuar sendo quem sempre foi.
     Por último, lembre-se que revidar uma ofensa pode até fazer bem ao ego (momentaneamente) mas irá provocar um ciclo de réplica e tréplica, drenando nossas energias e promovendo uma imagem distorcida de quem somos ou desejamos ser. Aliás, estamos sendo filmados a todo instante e pessoas que eram excelentes amigos e companheiros de jornada, contemplando nossa explosão de revanche, perderão mais uma referência de vida. Não que precisamos ser "múmias paraliticas" para manter as aparências. Pelo contrário. Expressar sentimentos é saudável. Mas mais saudável ainda é lembrar as palavras bíblicas: "Quando vocês ficarem irados, não pequem". Apazigüem a sua ira antes que o sol se ponha, e não dêem lugar ao diabo (Efésios 4:26.27).
     E não se esqueça: A beleza do Planeta Terra se deve à mão criadora de Deus e também a fúria dos impactos de imensos asteroides que desabaram por aqui. Da mesma forma, seu caráter será cada vez mais lindo se a mão de Deus agir em seu interior e você entender que os impactos das ofensas estão aí para te tornar cada dia melhor.
     Beijos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Amigo de Deus? Ah...conta outra.

     Cresce na literatura religiosa a ideia de que podemos e devemos ser "amigos de Deus". Fico a pensar o que de fato esta ideia representa para a maioria das pessoas que consome tal literatura. Seria, digamos...chamar Deus de você? Convidá-lo para jantar? Jogar cartas com a Divindade? Fala-se muito sobre Deus, mas pouco se sabe sobre sua Pessoa. Isso por que as religiões divergem em seus conceitos e dogmas, a história da igreja está manchada com escândalos escabrosos e muitas interrogações ainda estão para serem equacionadas e resolvidas. Mas em meio a tais confusões, acredito que posso sugerir o que seria esta tal "amizade com Deus".
     Primeiramente, parece que não depende de mim. Não basta eu querer ser amigo dEle. Do pouco que conheço das Escrituras, parece que o Livro Santo revela um Deus que decide, do céu, quem serão seus amigos. Jesus Deixou isso claro ao dizer  "já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido.  Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome" (S. João 15:15,16). Além disso, deixa claro: "Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno" (S.João 15:14).
     Em segundo lugar, esta amizade não sugere fanfarrice ou "bisbilhotagem". Abraão, aquele que é chamado de "o pai da fé", também é chamado nas Escrituras de "amigo de Deus", e ao que parece, chegou ao ponto de sacrificar seu próprio filho por amor e fidelidade à Deus. E o que dizer de Enoque, que "andou com Deus e não foi mais encontrado na Terra porquanto Deus o levou para si (?)" conforme Gênesis 5:24.
É como disse um certo amigo meu: os cristãos não tem medo de morrer, mas também não tem pressa.
     Finalmente, acredito que a dita amizade com Deus tem lá seu lado informal. Paulo (alguém duvida da sua amizade com o "Cara" lá em cima?) foi dar um passeio no terceiro andar do  céu e voltou, sem condições de narrar o que viu (2a. Co 12:2). Vejo que Deus leva mesmo essa amizade a sério!      
     Mas...brincadeiras à parte, deixei de ver Deus como um "Cara" distante, idoso, estressado e pronto a punir os mais minúsculos pecados, para entendê-lo com alguém que busca relacionamento, preservando seu caráter Santo, Integro e Amoroso. Ele não entra na minha. Eu é que devo me alinhar à dEle, considerá-lo Sábio, Perfeito e Misericordioso, para então ir me amoldando à sua imagem. Afinal de contas, correto é o ditado: "diga-me com que andas, e te direi quem és". 
sergiomarcos59@hotmail.com

Como viver em paz em um mundo em convulsão?

Silvio Brito na década de 70 cantava uma canção que se tornou hit rapidamente. Cada estrofe começava com “ – pare o mundo que eu quero...