segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eu, Pedrão e o "lava-pés".



Tentei me colocar no lugar de Pedro, (o Pedrão da turma de Jesus), quando o Mestre fez que ia lavar seus pés. Imagine: o Criador do Universo ali, na minha frente, de cabeça baixa, com a bacia e a toalha. Incompreensível. A humildade de Jesus não tem comparação.
Assim como Jesus surpreendeu Pedro, as vezes me sinto surpreendido por Jesus. Aprendi a duras penas que, caso decidisse ser um seguidor radical de Cristo, passaria por experiências estranhas. Afinal, "quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?" (Rm11:34).Como Pedro, também estranharia. E caso Jesus insistisse, acho que também diria a mesma coisa: "Me lave então os pés e a cabeça". Bobagem.
Como Pedro, também confesso ter dificuldade de entender a limpeza espiritual. Num linguajar mais teológico, a tal da "santificação". Se Deus diz que perdoa, quem sou eu para duvidar? Sou humano, pecador e um tanto lento em aceitar perdão. Parece que temos que dar a Deus alguma compensação pelo presente da graça. Se é graça é de graça!
Como Pedro, acho que sou um tanto mandão, gosto de ficar no comando e Deus agindo em meu favor numa total inversão de posição: eu como senhor e Ele como Servo. Absurdo.
A lição do lava-pés está se tornando cada vez mais clara para mim. Posso até estranhar o que Jesus está fazendo em minha vida, mas preciso reconhecer minha necessidade de me submeter aos seus cuidados.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A mensagem "oculta" do "Lava-pés".

     Mais do que uma cena bucólica, mágica, e de grande conteúdo teológico, o lava-pés é um resumo teatralizado de tudo que Jesus ensinou. É como se o Mestre dissesse "se vocês não conseguirem se lembrar de nada do que eu falei, jamais se esqueçam do que acabei de lhes fazer"
     Com a bacia nas mãos e uma toalha ao redor da cintura, o Mestre abaixou a cabeça e se colocou na mais inferior posição da sociedade israelita de sua época: escravo.  Tal gesto foi insuportável para Pedro que reagiu. Em vão. Este gesto de serviço simples foi a maior lição já ministrada, em todos os tempos e lugares: quem não vive para servir, não serve para viver.
     No lava pés, Jesus serviu Pedro, o desleal; Tomé, o desconfiado; Judas o traidor. Não fez qualquer diferença. "Amou-os até o fim" (João 13:1b) ou seja, perfeitamente, sem qualquer interesse escuso. Serviu-os com humildade aviltante, despudorada, atrevida, lavando-lhes os pés. 
     Nestes tempos onde o cristianismo tem sido reduzido a um mero "encontro com Cristo", a lição do lava-pés se torna primordial. Quem não entende o "lava-pés" não entendeu a fé, nem o Cristo, nem a cruz, nem a mais simples manifestação de espiritualidade. Após enxugar o último calcanhar, o Mestre pronunciou as palavras que definiriam para sempre o caráter do cristianismo: "eu lhes dei o exemplo para que vocês façam como lhes fiz" (Jo13:15). Ou seja, Jesus incitou seus discípulos a amarem como ele amou, servir como ele  serviu e a  lidar com os "contrários" como ele lidou.
     Encerrou aquele momento dizendo que a felicidade, que tanto procuramos, depende (pasmem os senhores!), de praticarmos o "lava-pés": "Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem" (João 13:17).
     Para ser um cristão, não basta um mero "encontro com Cristo". Necessário é, tornar-se seu imitador.

Como viver em paz em um mundo em convulsão?

Silvio Brito na década de 70 cantava uma canção que se tornou hit rapidamente. Cada estrofe começava com “ – pare o mundo que eu quero...