sexta-feira, 20 de maio de 2016

Cristo sim, igreja não. Como assim?

    
Cresce em todo mundo a ideia de um cristianismo descompromissado, despojado... do lar.
     Na Europa isso já acontece a bastante tempo. Nos Estados Unidos o movimento é crescente e no Brasil vai ganhando corpo à uns cinco anos mais ou menos.
     O que há de bom?
     Há um lado positivo neste "movimento": um cristianismo "desinstitucionalizado", ou seja, sem os vícios e a politicagem das instituições. O "ser cristão em casa" parece  interessante, pois a proposta é que se viva (seja),  pratique, acima de tudo, o Evangelho. Não há interesse em "exibir" a fé numa reunião dominical, mas em vivenciá-la no cotidiano. É o cristianismo sem hora marcada, sem rotina de cultos e reuniões, sem a roupa de domingo, sem os trejeitos típicos do mundo gospel como dizer: "a paz do Senhor", "amém", etc. 
     Nem tudo que reluz é ouro.
     Por outro lado é um cristianismo liquefeito, sem normatização, onde todo mundo fala, sente, crê, interpreta e ministra. Há líderes? Sem dúvida. Mas o despojamento da estrutura mínima citada nas Escrituras como pastores, presbíteros, diáconos, evangelistas, mestres e profetas, vulnerabiliza o movimento e o coloca numa condição de extrema penúria teológica. A igreja, como instituição, existe pela graça do Senhor e tem como finalidade concatenar o grupo, organizar os dons e talentos, receber a visão de Deus e transmiti-la aos demais membros, levando-os à maturidade e a consequente frutificação.
      Lições da história.
     A história da igreja é tida pelos estudiosos como a "história das heresias", onde movimentos semelhantes aos "sem igreja" surgiam, em nome da liberdade institucional, liturgia mais leve e que lamentavelmente descambou  para o campo das aberrações teológicas.
     Qual o melhor caminho?
     Penso que nem lá nem cá. A igreja institucional precisa rever a rigidez desnecessária, excesso de atividades e o autoritarismo de seus líderes.  
     O movimento dos "sem igreja", por sua vez, precisa considerar esta "liberdade institucional" que nem sempre possui motivações santas.
      Assim como a Igreja se sobrecarregou com doutrinas de homens, os movimentos "sem igreja" simplificaram demais as coisas e a falta de normatização pode levar tais movimentos ao fracasso total. 
     Os pretensos "donos" das grandes ou pequenas denominações precisam se lembrar que a igreja não é uma marca, um logo, uma empresa. Jesus disse "eu edificarei a minha igreja"
     Da mesma forma, os "sem igreja" precisam se lembrar das mesmas palavras do Mestre e saber que Jesus ia a Sinagoga regularmente, Paulo a frequentou sistematicamente e a priorizou em seu projeto de evangelização. Ir a igreja é parte da agenda de Deus assim como "ser igreja" é obra do Espírito Santo na vida do convertido à Cristo.
     Nem lá nem cá. O equilíbrio é, foi e sempre será a proposta do Senhor. 
     Inspirado por Deus, Paulo nos deixou a estrutura eclesiástica ideal para que um grupo de pessoas possa considerar-se Igreja, conforme o Novo Testamento: " E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,  com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado,  até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo" (Ef 4:11 à 13).
     Que seja esse nosso alvo. Que o Senhor da Igreja, restaure para esses dias uma igreja vibrante, Bíblica, completa, atuante e bem organizada.  
     Ir a igreja não faz de ninguém um cristão, mas cristãos costumam ir a igreja.
   
    

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Por que Dilma caiu?


     Caiu porque foi mais petista que politica.
     Caiu porque se deixou conduzir pelo espectro do presidente Lula.
     Caiu porque evitou falar sobre a corrupção, dando a entender certa cumplicidade.
     Caiu porque mostrou-se leal a Lula quando este se revelou desleal a nação brasileira.
     Caiu porque fez vista grossa ao apodrecimento interno do PT.
     Caiu porque inchou a máquina governamental  com projetos populistas esquecendo-se que a nação brasileira possui regiões ao norte e regiões ao sul (leia-se também, sudeste).
     Caiu, pois desconsiderou que sua vitória nas urnas foi apertada e que governaria um país dividido.
     Caiu devido a inúmeras gafes (e escorregões na retórica) que lhe rendeu inúmeros memes que se tornaram virais na internet.
     Caiu porque não ouviu adequadamente a voz das ruas.
     Caiu porque os que poderiam mantê-la no porder, cairam antes dela.
     Me alegro? Não. 
     Como brasileiro me entristesso ao ver uma presidente eleita pelo voto popular ser destituida pela população nas ruas.
     Foi triste ver as enormes faixas de "Fora Dilma" e "Impeachiment já".
     Foi triste ver a estafúrdia defesa dos defensores de Dilma, sem conteúdo, sem conhecimento da constituição. Gritos, ofensas, escárnio, a bizarra frase de efeito "Não vai ter golpe" e acusações à oposição. Nada mais.
     Fica a esperança, típica do brasileiro.
     Fica a torcida por um bom governo de transição.
     Fica a expectativa de que os investidores, nacionais e internacionais, voltem a acreditar no Brasil.
     Fica o anseio do retorno dos empregos, da queda da inflação, da melhoria da saúde e da educação e que não se faça "Copas do Mundo" e "Olimpíadas" enquanto houver corrupção endêmica neste país.
    Fica tudo isso, mas FORA, a desgovernança.

sergiomarcosmevec@gmail.com
    
    

Como viver em paz em um mundo em convulsão?

Silvio Brito na década de 70 cantava uma canção que se tornou hit rapidamente. Cada estrofe começava com “ – pare o mundo que eu quero...