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Mostrando postagens de Novembro, 2012

O encontro

Jamais esquecerei aquela tarde de domingo. Eu era um bom crente, membro de uma igreja histórica, tradicional, com origens europeias e orgulhoso de ser neto de Dona Cecília de Barros Cicotti, uma crente devota, de uma fé e testemunho exemplares. Era um garotão, gostava da vida e meus dotes de liderança me deram certo prestígio na comunidade. Passando dos 20 anos, esbanjava disposição e gostava de música e de estar onde as pessoas estavam, de preferência, em evidência. 
Liderava um conjunto musical jovem, um quarteto e era suplente de solista no coro da igreja. Nada mal para alguém recém saído da adolescência. 
Pelo fato de estar sempre disposto a trabalhar, foi me outorgado o cargo de "ecônomo" (diácono) vejam só. Um fedelho em meio a homens maduros, sérios e reconhecidos pela igreja. Mas isso não era tudo. Juntamente com o pastor, passei a co-liderar uma congregação num bairro vizinho e fui muito elogiado por meu desempenho musical e minha retórica. Fui invejado por minha &quo…

A vida é um baile de máscaras...

Ocultar a identidade é algo comum,  não apenas entre os heróis da TV. Mais comum ainda é não conhecer sua própria identidade. Por não sabermos ao certo quem realmente somos, nos valemos de máscaras a fim parecermos agradáveis diante de certas pessoas e obter vantagens nas oportunidades que a vida nos apresenta.
Máscaras possuem data de validade não revelada. Por desconhecermos quanto tempo durarão, acabam caindo em momentos impróprios, revelando quem de fato somos.
Nos acostumamos tanto com as máscaras que admitimos nos relacionar com pessoas mascaradas, mesmo sabendo que não estamos tocando sua real identidade. Vivemos aquela do "me engana que eu gosto". Levamos a vida assim, como num imenso "baile de máscaras" até que a verdade vem a tona, as luzes se acendem, as máscaras caem e os defeitos da face ficam evidentes." Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido" (Lucas 12:2).
A própria vida se encarrega de cr…

Por que é tão difícil assumir meus erros?

Nasci assim. Sem o menor interesse de assumir meus erros. Tenho a impressão que possuo um "chip" muito bem instalado que me socorre com desculpas mirabolantes (e cada vez mais sutis) para me livrar das consequências das burradas que faço. Sou "liso" quando tentam me "enquadrar". Você se identifica comigo? Creio que sim.
A natureza humana é má, em sua essência. Temos lampejos de bondade, de justiça, de verdade. O resto é "senvergonhice" mesmo, da pura, da boa.
     Mas isso não nos torna felizes, realizados, satisfeitos, de bem com a vida. Pelo contrário. Temos um outro "chip" bem instalado chamado "consciência". Reflete Deus em nós. Seria  o "imago dei" em cada pessoinha da Terra? Muitas vezes o atacamos, tentamos retirá-lo à força. Alguns mais espertos tentam "rackea-lo". Em vão. Continua funcionando e incomoda à beça quando insistimos em fazer o que não convém.
     Que me desculpem os darwinistas e os que …

A era da indecisão.

A sociedade vive em tom pastel. Não há certezas. Não há convicção. Questionar é preciso. Responder as questões, nem tanto. No campo religioso isso está cada vez mais incisivo, penetrante. 
Deus? Não importa o nome. Cada cultura tem o seu e todos na verdade podem ser a mesma pessoa. O politicamente correto adentrou o lugar santo. O profano e o sagrado estão no mesmo local. Nada de definições. Nada de dogmática. Externar convicções é falta de respeito, total ignorância e atestado de que se pertence a cultura de gueto. A mente globalizada exige que aprendamos a "dar as mãos" pois o "deus" de John Lennon pode ser o mesmo Deus de Paulo, o apóstolo. Imagine.
Mas ser cristão, na essência, é ser dominado por fortes convicções e ir até a ultimas consequências. Vejo isso nas fortes declarações: "mas eu sei que o meu redentor vive" (Jó), "sei em quem tenho crido" (Paulo), "o Senhor é o meu pastor e nada me faltará" (Davi). No entanto, soa como crim…