terça-feira, 21 de julho de 2015

Cristianismo e homofobia: uma reflexão.



              
           Mahatma Ghandi (líder indú) se notabilizou com a frase: “ - admiro Cristo, não os cristãos”. Deixou claro que o cristianismo nem sempre reproduziu (ou reproduz) a vida e os ensinos de Cristo, que  não era cristão. Era judeu.  Sua morte de cruz foi injustificável, exceto por um motivo: morreu para cumprir as Escrituras  que o apontavam como o “Cordeiro de Deus”.


Paulo, fundador do cristianismo ?

                Ao contrário do que muitos afirmam, não foi o apóstolo São Paulo quem fundou o cristianismo. Discípulos de Cristo, no dia de pentecostes, presenciaram uma das mais extraordinárias conversões em massa de que se tem notícia, contabilizando três mil novos convertidos numa única pregação. Nascia então a  Igreja e o movimento chamado “cristão” que só foi assim denominado na cidade de Antioquia, pois muitos observaram nos seguidores de Jesus, disposição para o sofrimento (Atos 11:26 – Bíblia).

Paulo, ao contrário, cuidou da organização das jovens comunidades que se formaram ao redor do nome de Jesus Cristo. Definiu credos, liderança e acima de tudo, viveu, segundo suas próprias palavras “o que restava das aflições de Cristo” (Aos Colossenses 1: 24).


Como definir “cristianismo” ?

Se Cristo não era cristão e Paulo não foi o fundador do cristianismo, como defini-lo?

Não podemos definir “cristianismo” em termos absolutos, pois tanto os Cruzados da Idade das Trevas quanto as monjas de Madre Tereza de Calcutá alegavam (e alegam) pertencer a ele. Enquanto o primeiro matava cruelmente o segundo lutava (e luta) pela vida a qualquer custo. Da mesma forma não podemos afirmar que o cristianismo é homofóbico ou que ser cristão é incentivar a homofobia. Podemos sim, e com razão, afirmar que alguns que se denominam “cristãos” são homofóbicos, mas para isso precisamos também definir o termo “homofobia”.


O que é homofobia ?

                Homofobia de acordo com as mais completas definições da atualidade é aversão a homossexuais, ativos ou passivos, que pode se expressar por meio da violência, discriminação, preconceito e exclusão social. Se isso é verdade, posso afirmar que seguidores de Cristo não são homofóbicos por algumas razões:

1)      O segundo grande mandamento proferido por Cristo foi: “ame ao teu próximo como a ti mesmo”. Jesus não especificou quem seria este próximo, apenas ordenou: “ame-o, respeite-o como seu semelhante, faça com ele o que gostaria que fizessem com você”.

2)      Ao referir-se a lei judaica do “ame seu amigo e odeie seu inimigo”, Jesus disse: “ame o seu inimigo”. Se o Mestre ordena que amemos inclusive nossos inimigos, como podem alguns afirmarem que a Bíblia é homofóbica?

3)      Jesus não faz menção a homossexualidade nos registros dos evangelhos, o que não significa que ele o aprovou, mas sua vinda, segundo o Evangelho de João, foi: “não para condenar, mas para salvar”.

4)      Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a Bíblia deixa claro que o foco de Deus é a família original (o termo "tradicional" tem sido usado pejorativamente) formada de homem  e mulher, heterossexuais, como base para a saúde psico emocional das crianças. Quando entendemos que Deus é o Criador, Ele próprio tem o direito de Criação (direito autoral) de dizer o que é certo (ou não) naquilo que Ele mesmo concebeu.

5)      A comunidade de seguidores de Cristo é aberta, convidando a todos para virem e viverem a fé em Deus, sem imposição comportamental, pois acredita que mudanças que se processarem na vida de uma pessoa, ocorrerão por ação direta do Espírito Santo de Deus e não de uma adesão religiosa.


Meu círculo de amizades inclui homossexuais.

Concluo afirmando que  “cristianismo”  é um termo indefinível para a sociedade tal qual se encontra hoje, com uma postura declaradamente anti cristã.

Deus, como Criador, reserva para si o direito de dizer o que é certo e errado em sua criação original.

Movimentos GLTBS não devem referir-se aos cristãos com generalizações.  Se o fizerem, estarão agindo como alguns “cristãos” que generalizam em relação aos homossexuais.

Todo verdadeiro seguidor de Cristo não é preconceituoso ou homofóbico, pois tais sentimentos (ou atitudes) são incompatíveis com a ordem de Cristo de amar ao próximo como a si mesmo.

                 Particularmente, tenho em meu círculo de amizades homossexuais que me respeitam e contam igualmente com meu carinho e atenção.  Tenho tido a oportunidade de ouvi-los e auxiliá-los em seus dramas pessoais, que em nada diferem das demais pessoas, independente de suas expressões sexuais.


Deixe Ele falar...

                Gostaria de dar oportunidade a Jesus de concluir este artigo com suas próprias palavras:

“ Vocês  estão cansados , enfastiados de religião? Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensina-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço! Aprendam os ritmos livres da graça! Não vou impor a vocês nada que seja pesado ou complicado demais. Sejam meus companheiros e aprenderão a viver com liberdade e leveza” - Mateus 11: 28 à 30 – Bíblia – A Mensagem – paráfrase de Eugene Petersen.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

A igreja falsa: não caia nessa.


Igrejas ditas “evangélicas” dominam a mídia transformando-se num movimento comercial com maquiagem espiritual, celebrando um casamento maldito entre a fé e o capitalismo.  Há uma diferença visceral entre o cristianismo bíblico e esta paródia sem graça na TV brasileira. Definirei aqui como: cristianismo bíblico (fundamentado na teologia protestante, reformada e tradicional) e  movimento pseudo cristão (igrejas “eletrônicas” ou “digitais”).


Cristianismo Bíblico
Cristianismo falso
1.
O pastor ou líder é um homem do povo.
O pastor ou líder é um artista destacado com estrondoso poder de comunicação midiática.
2.
Os fieis formam uma comunidade, uma grande família.
O fiéis são simples plateia, na maioria dos casos, nem se conhecem. Encontram-se na multidão ou participam à distância, em casa, pela TV, rádio ou internet.
3.
Dízimos e ofertas são voluntários, expressão singela de seu amor à Deus e a sua igreja. Pastores e líderes tem vida modesta.
Dízimos e ofertas funcionam como chave para destrancar os “tesouros” de Deus em benefício dos fiéis, em prol do seu enriquecimento. Geralmente os líderes destes movimentos vivem nababescamente.
4.
A pobreza e a doença são resultado do estado da natureza humana decaída, que se encontra distante do original criado por Deus.
Pobreza e doença são obras do diabo e precisam ser exorcizadas.
5.
Jesus tem todo poder para curar, mas o faz segundo sua soberana vontade, com quem e quando quiser.
O poder de Deus para curar pode ser manipulado pelo pastor ou líder ou até mesmo pelos fiéis desde que se pronuncie certas palavras e frases de efeito.
6.
A Bíblia Sagrada é autoridade máxima em questões de fé e prática.
O líder fundador, bispo, apóstolo (ou pastor) é a autoridade máxima
7.
A igreja é dirigida por uma junta ou conselho formado por pessoas idôneas eleitas pela própria comunidade.
Não existe “rol de membros” e os dirigentes são escolhidos pelo próprio líder, “de cima para baixo”.
8.
Toda a Bíblia é ensinada e pregada, com ênfase no Novo Testamento
Afirma crer em toda a Bíblia mas concentra-se quase que totalmente no Antigo Testamento.
10.
Reconhece a irmandade cristã em outras comunidades e denominações cristãs evangélicas.
Não reconhece irmandade cristã em nenhuma outra instituição evangélica.
11.
Cristo é central e seu nome é pregado e exaltado em todas as reuniões e eventos.
O nome ou marca da instituição é central e anunciada em todas as reuniões e eventos.
12.
Sua mensagem é de arrependimento e fé em Cristo para a salvação.
Sua mensagem é de adesão à instituição para receber benefícios espirituais, principalmente prosperidade material.
13.
É a favor da família composta de pai, mãe e filhos como base para a saúde psicológica das crianças, mas condena toda forma de preconceito.
Pensa da mesma forma com respeito à família, mas age com preconceito militante contra o movimento GLTBS.
14.
Incentiva a formação acadêmica, inclusive mestrado e doutorado, pesquisa e desenvolvimento intelectual.
Desencoraja o desenvolvimento intelectual considerando-o antagônico a simplicidade da fé.

            Existem outras diferenças, mas acredito que estas sejam as mais importantes para destacar que há um “racha” no cristianismo não católico. O IBGE dá uma cifra percentual alta para o número de evangélicos no Brasil, mas sem diferenciá-los.
            Faço aqui, não para confundir ou julgar mas esclarecer aqueles que, olhando de fora, pensam ser todos a mesma coisa.
            Sugiro a você, que ficou curioso, que leia CRISTIANISMO PURO E SIMPLES de C.S. Louis e a Bíblia Sagrada, disponível gratuitamente para download para celular ou tablets.

Sérgio Marcos


Todas as religiões são iguais?

Você deve ter ouvido algo parecido. Devido a crescente onda de atentados em nível global, a intolerância religiosa tem aumentado e muito...