quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Maldição de nordestino!?

     
O paulista (mais precisamente, o paulistano) já protagonizou episódios de preconceito explícito contra nordestinos, assunto que voltou à tona após a reeleição da presidente Dilma. Seria a seca do sudeste, um efeito retaliador da natureza, tipo, aqui se faz, aqui se paga?

     Sou paulistano "da gema", nascido na capital, mais precisamente na Avenida Nove de Julho. Criei-me nas movimentadas ruas do centro da capital paulista, meu principal passeio semanal. O que nunca compreendi muito bem é esse preconceito ridículo contra nordestinos.


     Sempre achei estranho a generalização e o preconceito em São Paulo mais estranho ainda. Não importa o Estado de origem, para o paulista, todo nordestino é "baiano" e termos pejorativos como "baianada", são usados quando alguma coisa sai errada. Uma tremenda injustiça em relação a um povo trabalhador que ajudou a construir, não apenas o Metrô ou arranha céus, mas toda uma cultura da maior cidade do país.


     Lembro-me quando a prefeita Luiza Erundina, de Uiraúna - PB,  típica representante nordestina, elegeu-se para o cargo máximo da maior cidade da America Latina. O ego do paulistano foi atingido. Houveram várias manifestações com bombas e pichações. Não haviam ainda redes sociais, o que minimizou os efeitos da reação, mas no subconsciente coletivo do paulistano, isto nunca foi muito bem digerido.


     Hoje, a situação, no sentido climático, está inversa. Ironia do destino. Será que nossos filhos (ou netos) precisarão subir num "pau de arara" e migrar para a terra de Luiz Gonzaga, numa versão pós moderna de "Asa Branca"?


     Pois é. Cuspir pra cima é perigoso. Principalmente tendo como base o mapa do Brasil. 


     Esta falta de água em São Paulo, pode ser bem vinda, assim como, digamos: "um banho" de humildade.

     Óxente.




2 comentários:

  1. Parabéns pela reflexão! Nunca tinha parado pra pensar neste tipo de preconceito! Realmente precisamos tomar cuidado com este tema, pois facilmente somos influenciados pelos esteriótipos impregnados em nossa sociedade

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    1. Sim, eu presenciei este preconceito quando vivi em Sampa, e nunca me conformei. Hoje, esta explosão de preconceito é injusta, desproporcional e reveladora: revela um estado de empáfia e pretensa superioridade de um povo mimado, burguês, alienado da realidade do nosso país e que agora paga o preço de sua vaidade. Valeu filho.

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